Uso da chupeta e amamentação exclusiva no Brasil

Autor(es): GABRIELA DOS SANTOS BUCCINI, RAFAEL PEREZ-ESCAMILLA, SONIA ISOYAMA VENANCIO

Introdução: Pesquisas apontam o aumento contínuo das taxas de aleitamento materno exclusivo (AME) no Brasil, no entanto no ritmo atual levaríamos seis anos para atingir uma taxa de AME de 50%. Dessa forma, faz-se importante identificar os principais fatores de risco para a interrupção do AME.

Objetivo: analisar se o uso de chupeta é um fator de risco independente para a interrupção do AME entre crianças brasileiras menores de 6 meses. Métodos: Foi realizado análise dos dados de dois inquéritos de alimentação infantil realizados em 1999 e em 2008 nas capitais brasileiras e no Distrito Federal (N = 42.395 crianças menores de seis meses de idade). A regressão logística múltipla ajustada para fatores de confusão socioeconômicos, demográficos e biomédicos foi utilizada para testar a associação entre uso de chupeta e risco de interrupção do AME em cada inquérito e na amostra combinada (os dois inquéritos combinados).

Resultados: Na amostra combinada, um terço das crianças foram amamentadas exclusivamente (32,7%) e quase 80% usaram chupeta. Enquanto a prevalência de AME entre crianças aumentou de 25,1% em 1999 para 40,3% em 2008, a prevalência do uso de chupeta diminuiu de 82,7% para 74,8% no mesmo período de tempo. O uso de chupeta foi fortemente associado com o risco de interrupção do AME em 1999 (Odds Ratio Ajustada; IC 95%: 2,65; 2,38-2,94), 2008 (3,18; 2,81-3,60) e na amostra combinada (2,77; 2,63-2,91) após o ajuste para fatores de confusão.

Conclusão: O uso de chupeta foi o fator de risco mais forte para a interrupção precoce do AME no Brasil. Sendo a chupeta um fator de risco modificável, estratégias eficazes para reduzir seu uso entre crianças menores de seis meses podem favorecer o aumento das taxas de AME no Brasil.

Dados de publicação
Página(s) : p.8152

 

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