A amamentação, o futuro do planeta e da vida na Terra – SMAM 2016

O aleitamento materno como chave para o desenvolvimento sustentável

A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) 2016 traz um tema amplo e que vem ao encontro com a situação atual do mundo: o desenvolvimento sustentável. O tema exige uma reflexão que ultrapassa os limites da questão ecológica da amamentação.

Amamentar é reduzir morbidades, mortalidade, desigualdades, violência, danos ambientais. Amamentar é promover a vida e a saúde e melhorar sua qualidade, é intensificar as relações sociais, é um resgate cultural da condição humana, é segurança alimentar e nutricional, é reduzir impactos ambientais, é sustentável.

A SMAM 2016 discute a relação entre aleitamento materno e sustentabilidade e sua prática como parte essencial para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No ano 2000, líderes mundiais e a ONU reuniram se para definir metas cujo objetivo era promover uma parceria para a redução da pobreza extrema. Estas foram as 8 metas que tiveram como prazo final para o seu cumprimento 31 de dezembro de 2015. O último relatório da ONU indicou um movimento importante na redução da pobreza extrema, com redução dos números da pobreza, mortalidade infantil, aumento nos índices de escolaridade, entre outros.

Contudo, muitas metas de 2015 ainda precisam ser cumpridas e necessitam de um alcance maior, para mais pessoas. Dessa forma, em setembro de 2015, uma agenda, com metas traçadas para o período 2016-2030 foi acordada com base nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, buscando avanços por meio de um caminho de sustentabilidade: Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

A necessidade urgente do desenvolvimento econômico e social sustentável ao mesmo tempo em que se faz necessário o total cumprimento dos Objetivos acordados no ano 2000, fez com que fossem acordados 17 Objetivos e 169 metas, envolvendo temáticas diversificadas, como erradicação da pobreza, segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura e industrialização, governança, e meios de implementação.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o Aleitamento Materno

Embora não esteja presente em nenhum dos 17 objetivos, é impossível pensar no cumprimento de muitos deles sem o aleitamento materno. O leite materno é o alimento mais acessível (não tem custo e está próximo), seguro (não necessita de fabricação/envase/preparo/transporte), completo (é espécie específico) e oportuno (está disponível no tempo certo, na quantidade adequada, com incontáveis vantagens) para bebês e crianças pequenas em qualquer situação socioeconômica, em qualquer lugar do mundo.

Dessa forma, o aleitamento materno cabe praticamente em cada um dos objetivos, de forma direta ou indireta, pois para que haja a erradicação da pobreza é crucial a garantia do direito humano à alimentação adequada. O alimento deve ser acessível, de qualidade, seguro e oportuno. Sem alimento nestas condições não há como crescer, estudar e trabalhar, tampouco sobreviver.

Aleitamento materno como chave para o desenvolvimento sustentável

Com base nos 17 objetivos e nas 169 metas, muitos pontos podem ser observados em consonância com a prática, o incentivo, o apoio e a proteção ao aleitamento materno:

● Amamentar é cidadania. É um direito da mulher amamentar e do bebê em ser amamentado. Amamentar auxilia no bem-estar humano.

● Quando incentivada e apoiada, a amamentação reduz o impacto dos desastres naturais, pode reduzir o abandono e a violência contra crianças pequenas.

● A mulher empodera-se dos seus direitos, quando amamenta com o apoio necessário da família, das instituições e do governo.

● A amamentação impacta positivamente na redução da desnutrição e nos índices de mortalidade infantil, previne a obesidade e certas doenças crônicas. A mulher também é beneficiada com o aleitamento materno, com redução do risco de certas morbidades como o câncer de mama e osteoporose. É um alimento saudável, balanceado e seguro. Não polui o meio ambiente, pois não necessita da cadeia produtiva de energia, fabricação, envase, transporte e venda, não gera consumo de itens supérfluos, colabora com desestímulo ao consumismo e não usa e não gera substâncias e/ou resíduos nocivos ao meio ambiente.

● Amamentar preserva e fortalece as culturas locais. Não provoca alterações climáticas, ao mesmo tempo em que é totalmente adaptável a elas, pois está pronto para atender as situações especiais de consumo. O aleitamento materno pode inspirar padrões de consumo e de vida sustentáveis.

● Segundo as mais recentes pesquisas em aleitamento materno, a amamentação por mais de um ano pode proporcionar maior QI (Quociente de Inteligência) e maior renda média quando adulto.

Sendo assim, amamentar é um ato de cidadania, indispensável à saúde humana e à preservação da espécie e do planeta. Amamentar é econômico, cultural, é orgânico, é natural, é uma prática sustentável que precisa ser apoiada, incentivada e protegida. Qualquer outra prática de alimentar crianças pequenas, principalmente as lactentes, com substitutos do leite materno impacta de forma negativa todas essas metas, dificultando seu cumprimento. Apoiar, incentivar e proteger o aleitamento materno é proteger a vida na Terra. É sustentabilidade. É direito e papel de todos.

Para baixar em PDF: Seminário SMAM 2016

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