E pro enxoval? Nada? Mamadeira, Bicos artificiais e intermediários de silicone

Por Aline Elise Gerbelli Belini
Mãe, Fonoaudióloga (CRFa 2 11501), Mestre em Linguística, especializada em aleitamento materno.

 

Item: Mamadeira, bicos artificiais e intermediários de silicone

 

A que se propõem: A alimentar o bebê na ausência da mãe, a complementar a alimentação do bebê após a mamada ou em momentos específicos do dia (quando o leite materno “não é suficiente”).

 

Riscos: Confusão de bicos, diminuição da produção de leite, desamame; alergias alimentares, cólicas, doenças provocadas por contaminação dos componentes da mamadeira.

 

Existem vários modelos para os bicos de mamadeira.

Quanto ao material, é mais comum encontrarmos bicos de látex e de silicone. O látex costuma ter uma duração menor, porém ser mais flexível. O silicone parece responder melhor à higienização, é mais moderno.

Quanto ao formato, os bicos podem ser convencionais ou anatômicos. Quando surgiram, os bicos anatômicos prometiam favorecer que o posicionamento de língua, rebordos gengivais e demais órgãos fonoarticulatórios se assemelhassem ao posicionamento fisiológico que assumem durante a amamentação. Porém, estudos funcionais já comprovaram profundas diferenças entre a função de sucção realizada em qualquer bico artificial em comparação com a mama.

Um aspecto que facilita a compreensão é o seguinte: na mamada com pega adequada, o leite materno é ejetado no início do palato mole do bebê (próximo à garganta), pois o complexo areolomamilar, maleável, se estende até ali. A língua fica rebaixada em sua totalidade.

Os bicos artificiais são muito mais rígidos do que o órgão humano, não atingem de forma alguma o terço final do palato, levando o dorso da língua a elevar-se, preenchendo este espaço. Como consequência, a região posterior da cavidade oral deixa de receber os estímulos previstos e torna-se excessivamente sensível, podendo ocorrer anteriorização do reflexo de náusea, mais um motivo para a recusa do seio materno.

Estas reflexões podem ser aplicadas aos intermediários de silicone, que são bicos acopláveis à mama, utilizados com a intenção de facilitar a pega em determinadas condições anatômicas da mama (exemplo: mamilos planos) e também com a intenção de proteger os mamilos de ferimentos, ou de minimizar o desconforto de oferecer ao bebê mamilos já feridos.

Apesar de seus propósitos, o intermediário de silicone não costuma solucionar os problemas, além de oferecer outros riscos e desvantagens. As fissuras mamilares são ocasionadas por questões de pega e posicionamento, que devem ser adequadas o quanto antes, em qualquer constituição anatômica. Bicos artificiais atrapalham a pega.

O uso do intermediário de silicone pode provocar agravamento de ferimentos, pelo atrito e pela contaminação por fungos, já que a região corre o risco de ficar úmida e abafada.

Pode também ocasionar que o bebê engula ar e  venha a ter desconfortos, e interferir na produção de leite, já que o contato direto da boca com a mama é fundamental para a regulação hormonal que resulta na lactogênese.

Outra informação importante: as enzimas da saliva do bebê em contato com a pele da mama são capazes de fornecer informações sobre as necessidades imunológicas da criança,a serem atendidas na próxima mamada, e esta “conversa” fica interrompida caso exista um anteparo.

E a chupeta?

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