Acolhendo o bebê no coração, no colo e no peito

Fabiana e Marina com 2 meses. Foto: Ricardo Caparrós

Parto normal, cesárea, cesárea programada, cesárea não-programada, cesárea indesejada, cesárea necessária, parto tranquilo, parto difícil, parto demorado… Muitas são as formas de vir ao mundo. Porém, independentemente da forma como se nasce, todos os bebês, sem exceção, necessitam ser acolhidos.
O parto é o primeiro grande desafio do mundo fora do útero. Uma enxurrada de estímulos e sensações toma conta deste pequeno ser: o som alto das vozes, dos ruídos produzidos pelo mundo, o toque na sua pele, as mudanças de posição impostas ao seu corpo, instrumentos médicos, banho, roupas, dor, calor, frio, fome, medo. Tudo isso acontece em segundos, assim que ele sai da proteção, do aconchego e do silêncio do útero de sua mãe.
Para a família tudo é novo também. A atenção voltada antes para a “barriga” da mulher acaba. Agora tudo gira em torno do bebê. A mulher deve estar preparada para recebê-lo e, para tal, precisará do apoio da família que, por sua vez, deverá auxiliá-la nas tarefas de casa e com o bebê, oferecendo carinho e condições para que esta nova mãe entenda, se fortaleça e se aproprie do seu novo papel.
Dessa forma, acolher o bebê é um ato conjunto. No entanto, o papel da mulher é fundamental, visto que ela é a referência do bebê. Este bebê que acaba de vir ao mundo reconhece suas batidas do coração, seu cheiro, sua voz e estas informações iniciais serão as que o manterão conectados a ela de forma intensa e permanente se for incentivado e mantido o convívio e a proximidade intensos dos dois.
A família deve oferecer todo o apoio necessário à mãe para que ela consiga estabelecer e manter o vínculo com o bebê, através do colo, do
carinho, do calor de seu corpo e da amamentação. O pai, por sua vez, também precisa estabelecer este vínculo, participando ativamente dos cuidados e carinhos neste bebê. Auxiliando a mãe, o pai apropria-se de seu filho e constrói um relacionamento forte e duradouro.
Acolher o bebê significa todos terem estabelecidos seus papéis de forma natural e consciente, atuando em equilíbrio com a razão e a emoção.
Acolher o bebê no coração é amá-lo incondicionalmente e deixar esse sentimento chegar até ele, mesmo nos dias difíceis de noites mal dormidas, de cansaço e de dor. Não é se sacrificar. É entender que as dificuldades passam e que nenhuma delas será eterna e que, em breve, ou em um momento seguinte, sorrisos virão e outras alegrias também, junto com outras dificuldades… Então, cada momento deve ser aproveitado, nem que seja para um aprendizado. O amor a um filho cresce a cada dia de convívio.
Acolher o bebê no colo é simplesmente pegá-lo no colo, fazer passeios com o bebê no colo, deixar de lado o carrinho sempre que possível e, até mesmo, por que não, dormir com ele no colo ou ao lado de seu corpo. Um bebê não fica “mal acostumado” no colo. Nos primeiros meses ou anos de sua vida, o colo é fundamental para seu aprendizado, para estabelecer sua personalidade, sua maneira de encarar o mundo. Um dia, num belo dia de sol, ele vai querer se “jogar” do seu colo para correr com outras crianças, ou para estudar em outro país, ou para casar… E o papel dos pais é estar ali, presente para quando ele precisar novamente deste mesmo colo. Segue um trecho do livro Besame Mucho, do autor Carlos Gonzales:
“Por que você não desfruta, como mãe, dessa maravilhosa sensação de receber um amor absoluto? Você se sentiria melhor se seu bebê só a chamasse quando tivesse fome, sede ou frio e a ignorasse totalmente quando estivesse satisfeito? Ninguém negaria comida a um bebê que chorasse de fome, ninguém deixaria de agasalhar a um bebê que chora de frio. Você vai deixar de pegar um bebê que chora porque precisa de carinho?”
Colo é demonstração de carinho, de afeto, de cuidado. Quem não gosta de um colo?
Acolher o bebê no peito nada mais é do que amamentá-lo, porém, não simplesmente alimentá-lo. A amamentação bem-sucedida é aquela que alimenta o corpo e a alma, é feita de coração, sem sacrifícios, mesmo que às vezes seja difícil. E não só a mãe pode fazer isso. O pai e a família que incentivam e apoiam a amamentação também estão acolhendo este bebê no peito, pois estão dando a oportunidade única desta criança receber o alimento ideal, que traz inúmeros benefícios à sua saúde, à saúde da mãe e ao seu desenvolvimento emocional.
Segue abaixo um texto que redigi para meu blog intitulado “Por que amamentar é tudo de bom?”
“Quando você vê, ainda no hospital, aquele serzinho que estava tão guardadinho na sua barriga e percebe o quão indefeso ele é, você o pega no colo e percebe que ali ele se sente confortável, você se impressiona como este pequeno se aninha em você, parece que te conhece há séculos e você, ali, meio estranha, sem saber nem como pegar direito, tenta aconchegá-lo como se pudesse dizer: olha, não sei muito bem como fazer, mas estou aqui!
Então te dá uma sensação de bem-estar tão grande quando você consegue retribuir isso amamentando, que você se esquece da dor do parto, da dor dos cortes, dos mamilos, das costas e de tudo mais o que dói quando sai do parto… Pois, ele se acalma no seu peito, seus hormônios te ajudam dando a sensação de bem-estar…
Depois de mamar, ao sentir aquelas mãozinhas te segurando, as bochechas em seu peito e o semblante de paz daquele serzinho aí os hormônios ajudam novamente, dá vontade de protegê-lo e aí é a melhor sensação do mundo porque ele está feliz por se sentir alimentado e protegido ouvindo o batimento do seu coração (como na barriga) e você por poder proporcionar tudo isso a ele.
É difícil de explicar esses sentimentos, mas só sei que dar um colinho depois de mamar também é tudo de bom!
E é impressionante como essa relação de “alimentação” cria um vínculo fortíssimo entre você e o pequenino. Você percebe na troca de olhares. É algo realmente indescritível.
Caso um dia você sinta isso também, não tenha medo, se entregue a estas sensações, pois faz bem, traz paz à alma e acredito que faça também diferença ao pequeno, que será uma criança criada com amor e, com certeza, será um adulto feliz que saberá amar e dar carinho aos seus. É uma troca de carinho realmente alucinante que se estende até nas brincadeiras quando eles estão ficando grandinhos e começa a te retribuir com sorrisos, aí não tem dinheiro que pague!
Muitas vezes as pessoas têm medo de se entregar, pois no fundo no fundo, muitas pessoas têm medo de se magoar um dia, mas esta não é qualquer relação, não é um namoro. Acho que este é o amor de mãe.
Acredito que tenho todas essas sensações porque também fui criada assim. E o negócio é esse: passar para frente esse carinho para que o mundo seja um pouco melhor a cada geração.
Estou criando a Marina para o mundo e me preparei para isso antes de engravidar, mas não tenho medo de me entregar à esta relação e espero que, um dia, ela possa ser um adulto feliz e ter essa mesma sensação que eu quando meus netos vierem…”
Fabiana Cainé Alves da Graça
retirado do site Amigas do parto

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