Benefícios do aleitamento materno e riscos do uso de chupetas e mamadeiras

 

O leite materno é o único alimento ideal e essencial para o ser humano nos primeiros meses de vida. Essa é uma verdade pública e notória, amplamente divulgada nos meios de comunicação e nos serviços de saúde. Ideal e essencial porque estabelece os laços e o vínculo afetivo entre mãe e filho, proporciona o desenvolvimento emocional do bebê e oferece benefícios permanentes à saúde tanto da mãe quanto do lactente.

O leite materno é dito como espécie-específico, ou seja, é produzido especialmente de acordo com a necessidade do ser humano e, embora apresente variações na coloração e densidade, todos fornecem as quantidades adequadas e recomendadas de água e nutrientes ao lactente. Por esta razão, estudos têm sido realizados mundialmente no intuito de comprovar estes efeitos.

Além dos benefícios já conhecidos, como a redução do risco de alergias e de otites, outros mais estão sendo divulgados, tais como: a redução do risco de leucemia e linfoma infantil, do risco de pneumonias, do risco de diabetes dependente de insulina. Oferece proteção contra doenças gastrointestinais por um longo período após o desmame, proporciona melhora do desenvolvimento cognitivo, do raciocínio matemático e da leitura em crianças, Na mãe, pode-se citar a redução do risco de câncer do ovário, de mama, de fraturas na bacia e osteoporose. Além de muitos outros benefícios, sabe-se que até o primeiro ano de vida, o bebê depende do leite materno para combater infecções.

Para que esses benefícios sejam adquiridos, a amamentação deve ser bem estabelecida. Um dos fatores que podem interferir negativamente no sucesso do aleitamento é o uso de chupetas e mamadeiras. Foram encontrados relatos científicos do uso de chupetas datados do século XIV, mas sabe-se da existência de chupetas e outros artifícios para alimentar e acalmar bebês desde o período neolítico. Hoje se sabe dos malefícios causados pelo uso destes artifícios não só em relação à amamentação pela confusão de bicos, mas como a todo o sistema estomatognático (conjunto das estruturas bucais que envolvem a participação da mandíbula).

O bebê não sabe distinguir o peito da chupeta e da mamadeira e acaba “desaprendendo” a ordenhar a mama, já que os movimentos de ordenha e sucção são completamente diferentes. Esta é a confusão de bicos. Além disso, quando usa a chupeta, o bebê já está cansado para conseguir ordenhar a mama.

O uso de mamadeiras e chupetas deixa a bochecha, a língua e o lábio inferior mais flácidos e o lábio superior atrofiado. O palato duro fica estreito e profundo, levando a um mau alinhamento dos dentes e alteração da sobreposição dentária, acarretando em desequilíbrio da musculatura oral; interfere no desenvolvimento e crescimento do maxilar e estimula a respiração oral deixando o bebê susceptível a infecções do trato respiratório. Estas alterações também prejudicam o movimento da ordenha. A chupeta e a mamadeira por si só podem causar infecções devido à maior susceptibilidade de contaminação.

Estudos recentes relatam que crianças que ainda estavam usando mamadeira aos 2 anos tinham 30% mais probabilidade de ser obesas aos 5,5 anos.

Por estas e muitas outras razões, a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivamente até o sexto mês de vida do bebê, ou seja, sem oferecer água, chás, sucos ou qualquer outro tipo de alimento. Após o sexto mês, deve-se oferecer novos alimentos, mas o aleitamento deve ser mantido até os dois anos de idade ou mais.

 

Escrito por Fabiana Cainé Alves da Graça, para a escola Materna no ano de 2011 e publicado no Jornal Bom Dia em 13/07/2011.

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