Os dez passos da amamentação

Marina mamando aos 2 meses. Foto: Ricardo Caparrós

1. Querer amamentar e sentir que tem o poder de alimentar seu filho

A amamentação é a continuação da gestação. É como se fosse a “arte final” de uma obra. Quando o bebê nasce, ele ainda não está pronto. Como mamíferos, precisamos ser amamentados para continuar e finalizar todas as etapas do desenvolvimento. Mamar é instintivo no bebê, mas em alguns casos não é para a mãe. Então, querer amamentar é o primeiro passo para o sucesso desta segunda etapa da maternidade.

A natureza é sábia. Se você foi capaz de gerar seu filho e alimentá-lo para a formação de seu corpo, órgãos e tecidos será também capaz de continuar com este processo através da amamentação.

 

2. Pedir o apoio da sua família

O apoio do marido e dos familiares mais próximos (pais, sogros), é de extrema importância para o sucesso da amamentação. Peça para que seus familiares te auxiliem nas tarefas da casa para que você tenha o máximo de tempo possível para os cuidados com o bebê. Vocês estiveram por nove meses intimamente ligados. Precisam manter esta conexão.

Além disso, você precisa estar autoconfiante em sua capacidade de cuidar e alimentar o bebê, no entanto, devido às variações hormonais e às preocupações naturais do início da maternidade, não é difícil abalar esta segurança com conselhos e palpites. Cuide-se para não se deixar abater por eventuais críticas e/ou sugestões que não considere importantes.

 

3. Alimentar-se bem e beber água

Você continua formando um bebê. Precisa se alimentar tão bem quanto no período de gestação. Mesmo porque agora o bebê está maior e com outras necessidades para continuar e finalizar seu desenvolvimento. A natureza priorizará a alimentação do bebê e, se for preciso, retirará de você s nutrientes necessários. Coma com variedade e em quantidade suficiente para a necessidade dos dois. Se for preciso, aumente sua ingestão calórica com alimentos ricos em gorduras ditas “boas”, como azeites, frutas como o abacate, sementes, como as castanhas e peixes.

Amamentar dá muita sede. Beber água é de suma importância para manter a mãe e bebê hidratados. Deixe um copo com água disponível sempre ao seu lado quando for amamentar. A recomendação é de 2 litros de água por dia.

 

4. Você e seu bebê na posição correta e confortável

Quase nenhum bebê mama corretamente na primeira mamada. Por isso é importante você estar confortável para que possa conduzi-lo. Você pode sentar-se onde achar mais confortável. Coloque uma almofada em sua lombar a fim de ter um bom apoio. Tenha onde apoiar os cotovelos e antebraços. Relaxe os ombros. Apoie bem os pés. Pegue o bebê no colo e coloque-o de frente para a mama de forma que a cabeça e o corpo dele fiquem em linha reta e sua barriga encoste-se à dele. Apoie o bumbum e os ombros do bebê em suas mãos. Para não ter dor nas costas e nos braços, incline seu corpo levemente para trás com a ajuda da almofada na lombar e apoie o corpo do bebê em sua barriga. Encoste o lábio do bebê no mamilo até ele abrir ao máximo a boca. Assim que ele abrir, coloque, com a mão em forma de C, a aréola e o mamilo em sua boca. Se ele pegar só o mamilo, retire com o dedinho e repita quantas vezes for necessário. O queixo do bebê deve tocar a mama.

Nos primeiros dias, o mamilo pode ficar dolorido, mas com a pega correta, logo este desconforto passa.

Amamentar deitada também é uma boa opção para os dias e noites mais cansativos.

Lembre-se que quanto mais relaxada estiver e quanto mais aproveitar o momento do contato com seu bebê, mais fácil o leite descerá.

 

5. Cuidar das mamas

As mamas não precisam de preparo na gestação (buchas, banho de sol) e não devem ser lavadas a cada mamada. Basta somente na hora do banho. Não use hidratantes ou pomadas. Quando o bebê terminar de mamar, passe um pouco do seu leite no mamilo e aréola. Deixe secar e recoloque o soutien. O melhor soutien para amamentar é aquele com abertura completa, de tamanho adequado nas costas e na mama. Se o soutien for de abertura parcial ou estiver apertado, o leite pode não fluir e ficará estagnado, causando a sensação de “empedramento” que, se não resolvido, pode levar à inflamação.

Se precisar usar absorventes, corte fraldas de pano em quadrados de 15x15cm e use-as dobradas em 4. Troque sempre que estiverem úmidas. Tenha várias se for preciso. Lave-as bem e passe a ferro antes do uso.

No banho, aproveite para massageá-las pouco e suavemente embaixo da água, toque-as para sentir eventuais “empedramentos” e entender melhor quando sua mama está vazia ou cheia.

 

6. Amamentar em livre demanda, inclusive à noite

O bebê chora ou resmunga sempre que tem algum desconforto ou necessidade. No início, é mais complicado identificar a razão do choro, ele pode estar com frio, sujo, em ambiente inadequado (com barulho, perfume, poluição, fumaça de cigarro, entre outros), cansado da mesma posição, solidão, com cólicas ou com fome. O bebê não mama com hora marcada. Mesmo porque o bebê não tem fome somente de leite. O bebê tem necessidade de sucção e isto é importante para seu desenvolvimento. Mama também quando quer calor, carinho, atenção, pois esteve por nove meses em um ambiente protegido, quente, que envolvia todo o seu corpo e ouvindo somente as suas batidas do coração.

Além disso, o leite materno é rapidamente digerido pelo bebê, assim, ele pede para mamar diversas vezes ao longo do dia e da noite. Amamentar à noite é importante para manter a boa produção de leite, já que um dos hormônios que regula sua produção é produzido em maior quantidade neste horário. No entanto, não será sempre assim, com o tempo, o bebê vai mamando cada vez uma quantidade maior de leite ao mesmo tempo em que vai reduzindo a quantidade de mamadas.

 

7. Descansar

O descanso é importante para a recuperação da mãe no pós-parto e para uma boa produção de leite. No começo, pode ser difícil adaptar-se às novas rotinas de sono que o ritmo do bebê impõe. Tente se acostumar a cochilar pelo menos uma vez durante o dia, enquanto o bebê dorme. Conforme o bebê for crescendo e você for aprimorando sua prática em amamentar, você pode fazê-lo deitada ao lado do seu bebê, aproveitando aquele “soninho” que dá enquanto o bebê mama. Assim, vocês descansam e experimentam a sensação deliciosa de estarem próximos.

 

8. Sobre chupeta e mamadeira

Chupeta e mamadeira não são amigas da amamentação. Elas modificam o movimento de ordenha do bebê, fazendo com que ele “desaprenda” como mamar. A chupeta faz com que o bebê se “cale” e não peça para mamar e, depois de algum tempo sugando, o bebê pode ficar cansado e não ter força suficiente para mamar, podendo levar à perda de peso e desnutrição. A mamadeira também tem um fluxo de leite diferente, muito mais rápido daquele que o bebê encontra na mama. A tendência, nestes casos, é de que o bebê desmame antes do desejado.

O uso de mamadeiras e chupetas deixa a bochecha, a língua e o lábio inferior mais flácidos e o lábio superior atrofiado. O céu da boca fica estreito e profundo, levando a um mau alinhamento e da posição dos dentes, acarretando em desequilíbrio da musculatura oral; interfere no desenvolvimento e crescimento do maxilar e estimula a respiração oral deixando o bebê susceptível a infecções do trato respiratório. A chupeta e a mamadeira por si só podem causar infecções devido à maior susceptibilidade de contaminação.

 

9. Sobre água, chás, sucos ou qualquer outro alimento

O organismo do bebê é preparado para receber somente o leite materno, pois nele se tem a quantidade ideal de água e nutrientes para seu crescimento e desenvolvimento. Oferecer outros alimentos, águas, chás ou sucos é um risco visto que seu aparelho digestivo ainda não está pronto para isso e acabam “enganando” a fome do bebê. Não se esqueça de que chás são medicamentos e podem causar reações no bebê, além de não possuir valor nutricional. Bebês não digerem amido até os quatro meses de vida, portanto engrossantes, farinhas, não são recomendados.

O bebê que mama ao peito não precisa destes alimentos, nem de água. Quando o dia estiver muito quente, ofereça o peito mais vezes ao longo do dia e da noite.

 

10. Esvaziar a mama sempre que estiver cheia. Se possível, doe seu leite!

Quando a mama não é esvaziada, a tendência é de o corpo produzir menos leite. Quanto mais leite você tirar, mais leite vai ter. Você pode deixar seu leite no freezer por até 15 dias para oferecer ao seu bebê para quando precisar deixar seu bebê com alguém por algumas horas. Doar leite é uma boa forma de treinar a ordenha e acostumar o corpo quando você voltar a trabalhar, ou seja, é bom para você, que mantém uma boa produção de leite e é um ato de amor para os outros bebês que você pode ajudar.

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